
sofiasarmento
Tudo habita no corpo. O corpo contém o que não é corpo. A fisicalidade da metafísica O corpo filtra aquilo que esconde daquilo que revela. Corpos diferentes tornam visíveis coisas diferentes – partindo do pressuposto que coisas habitam em corpos e corpos habitam em coisas – O corpo é o filtro. Os olhos exercem a dança do pensamento
Não sei se as acção que executo são todas produzidas pelo pensamento ou se o meu pensamento é o resultado de todas as acções que executei
Não sei se me movo para pensar ou se penso para me mover. Onde acaba a palavra e começa o movimento? O que é a palavra se não uma extensão do corpo?
Vamos avançando em forma de espiral
Pra uma Dança ética
A dança é uma ferramenta de estudo. A dança é o que fizermos dela - a subtração do exagero.
E se existe que seja em experiência, em toque ,em sensação. O que é que podemos retirar da sensação? A própria sensação. O que é que podemos retirar do amor? O amor.
Dançar no espaço de diálogo da ética com a estética
A arte e os unicórnios vêem do mesmo sitio e vão para o mesmo lugar
Há uma mulher, uma miúda. É uma personagem provisória. O nome é provisório. O figurino tão pouco será este. A sua estadia pelo planeta terra será provisória. Estando neste momento na situação provisória de performar, colocando-vos a voces no papel provisório de espectador
Uma arte que não é efémera – é provisória
O objecto artístico é sempre um espelho
Que memórias estão guardadas nos meus músculos?
Cria processos e os processos criaram o trabalho
Dói-me a cabeça.
São relatos de um corpo vivo.
e nesta dor de cabeça aparecem preocupações de toda a ordem , e com as preocupaçoes vem as dúvidas e com as dúvidas vem a pausa. O que é que vem depois da pausa? a continuação. Então continuo. já pausei. já continuei. o que me falta fazer. Terminar? O que me falta fazer é perguntar. E depois da pergunta? Depois da pergunta vem a resposta. E depois da resposta vem o silencio. Um silencio sem pausa.
Memórias de um futuro próximo
Vivemos entre o conto erótico e o infantil, num espaço literário que vamos criando. Hoje procura ser tranquilo, e os grandes desequilíbrios dos grandes romances já não me excitam. O tesão hoje vem com corpo e com pele. Os desejos e anseios? Ossos e pôros. E enquanto o movimento tiver um tempo próprio - vibra, oscilando baixinho, debaixo da válvula um ataque cardíaco constante - daqueles que é necessário para viver. Porra! Ora a côr e o mar e tudo que não sendo nos parece simples nesta terra, ora as palavras e a distância entre elas. Ora! Orar! muito.. Até que me caia os dentes e o queixo.
(A solidão já não está só.)
- Vão! Vão!Vão! Ou... Fiquem, fiquem! Que eu já estava de saída.
A impressão que eu tenho é que ninguem sabia o que estava a fazer. Uns agarrados ao copo, outros agarrados ao corpo, outros à mesa. E assim se aglutinavam - agarrados a isto ou áquilo, à espera de se agarrarem a mais qualquer coisa.
Eu cá espero caminhar de maõs vazias, e estar de bem com isso. Estar de bem com isso antes das maõs se tornarem vazias. O vazio está cheio de tranquilidade, o vazio anúla-se a si mesmo. O vazio está cheio de tranquilidade.
O que ouvia eram maõs. Todas fechadas.
Algumas mulheres bonitas a enfeitar a sala e a casa de banho como o único escape de reflexão.
Sinto que me ouvem a pensar. Afasto-me para fazê-lo.
Crio um ninho. Faço um charro.
Sinto que de todos os lados vem gente para me contar a mesma historia. Nuances diferentes de um mesmo conto.
Ler e escrever sao dois pólos de uma mesma acção.
Não há o que me mereça mais confiança que a Framboeseira que habita no meu jardim. Não há nada mais certo. Ela está lá. Eu estou aqui. Quando quero vou até ela. Ela está lá. Sempre que quero vou até ela.
As plantas acalmam-me. Lembram-me que há coisas que crescem da terra. Lembram-me que há leis que não sucumbem ao capitalismo. (que me pede o meu pé de framboesa? que lhe importa a bolsa, ou a desvalorização do euro? convive com isso. e a mim enquanto tiver framboesas tão pouco me importa!) lembra-me da força da fragilidade de quase tudo na vida. (que força está contida na fragilidade?)
Em tudo uma força. Em toda a força a sua fraqueza.
A montanha pede que me sente para que eu a possa ouvir. Conta-me histórias nas quais a ansiedade não me ajuda a compreendê-las
- distinguir todas as tonalidades de verde - ora ai está um desafio que se prese para um minhoto.
a montanha pede que me deite para que a entenda.
Para quê um relógio no bolso se temos um sol no céu?
Entrego o pensamento ao verde. Entrego o pensamento às àrvores de fruto que me saúdam de manhã. Entrego o pensamento a esta folha quase branca que me entretem pela tarde.
Os hábitos criam-se e os hábitos criam-nos. O hábito é um pai e um filho que nos acompanha. Crescer é escolher a infância.
Escrever é desenhar constelações. Dançar é dar tempo ao espaço. Escrever é dar espaço ao tempo.
O senhor Artur passa todo o dia no café. É um compadre de si mesmo. Gosto de o ver. É como as plantas. Mas ele lembra-me que há coisas que esperam. E que a espera nem sempre é um acto consciente. A (sua) mulher morreu há 2 anos. Ao senhor Artur falta-lhe amor. - e este é um diagnóstico caseiro - segura o copo como se segurasse uma mão. É um compadre de si mesmo. Talvez um dia possa eu dançar com ele. Sem tensões. Nem tesões. Dando tempo ao espaço...
O círculo. A espiral. O eterno retorno á coisa sem ser a si mesmo. O voltar a uma outra possibilidade de passado. Fazer disso futuro. Voltar ao novo. Ás memórias de um futuro proximo. Como se volta ao que ainda não existiu? O centro do circulo – o lugar onde se observa todos os tempos. A espiral é uma linha contínua que sofre uma atração para o lugar da consciência – ou o seu oposto. Em tudo existe reflexo. Em tudo emoção.
O que é um círculo que não se encerra? É uma linha. A vida é um círculo que não se encerra em si mesmo. Encerra-se no outro. Sendo que o outro , quando se fala da vida, o outro é a morte.
Acaba onde começa.
Uma mulher bonita ao alcance do olhar. Na sua cara a tragédia de quem usa da beleza como único trunfo. Ao meu lado, as mãos a quem o tacto lhes confiu. As mãos de um homem uma superfície confortável.
Decido entrar dentro da máquina. A máquina que decida andar.
Sempre a navegar. Na minha cabeça um oceano.
Dar a oportunidade á paixão de se experiênciar lenta.
Faz-me sentido este co-habitar. A lucidez aproxima-se e estará esenta de profecias.
O amor e o silêncio // o amor que se nutre do ego para existir ainda não é amor
é a sua sombra. Aceitar que um alguém quer outro alguém. Fazer parte da equação. Sem contar. Sem subtrair. Sem dividir. Aceitar que este alguém quer outro alguém. Escrever é me ditar.
Não pode haver maldade naquele que aceita.
O desejo e a gula são um poço sem mim. Há que tirar tempo para aperceber-me que há tempo.
Fazer sozinho é fazer qualquer coisa que só precise de ti para ser feito. Fazer sozinho é uma ilusão.
A ansiedade não ajuda. A escrita é um suporte demasiado lento. De que tempo falas?
Coisas sem palavras – ou talvez haja mas estão demasiado longe e não me apetece ir busca-las. Texto. Texto. Texto. Este lugar comun. Vou apostar em conjugações de palavras impossíveis.
O estado de poesia. De bobagem. De desapego. Porque se define por ser o apego a coisa nenhuma.
Nem á língua. Nem á letra. Nem á caneta – que não as encontro caras. Nem ao papel.
Fumar é apego. É pudor. É medo no sotão. Me ditar é difícel. (Na verdade ainda não estou absolutamente convencida das vantagens desta prática.)
Querer compreênder não constitui a própria compreensão.
Penso com a distância de um deus, ajo com o automatismo da máquina.
Há coisas que não quero escrever – que censuro, que só ditas. Mas é sempre sobre elas que escrevo. Nao quero escrever distante se tudo o que faço é para ficar perto.
O medo desaparece na consciência de que ser ego é ser pequeno. Ser pequeno é ser finito. E ser finito é só querer ler metade da história. Focar no meio do círculo.
Um bocado farta!!
– esta frase chega para falar de quase tudo! A tristeza tem-me reduzido o vocabulário. Porque são as emoções que me levam a procurar as palavras. Ou as palavras até ás emoções. É o diálogo entre a galinha e o ovo. O problema da sequência.
O vício.
Descontrolo a decisão na ânsia do prazer.
o alívio e o prazer tenho-os atados um ao outro. a crença no prazer.
o inverno entra devagar. não o quero ignorar.
o inverno e o vício. não os quero ignorar.
ignorar é viver com as coisas sem fazer caso. é normalizar o incómodo.
não quero ignorar a vida. e não quero dizer isto com frieza. (mas já disse!)
e se o que escrevo só a mim importa (esse facto pouco relevância terá)
se só em mim há a certeza que existo
e o outro não é mais do que eu visto por outro ponto de vista
espelhos dos meus olhos
e eu da mesma forma sou espelho do outro
e quando o outro me olha é a ele que vê refletido em mim
porque nós só conseguimos ver o que conhecemos
e quando acordamos entendimento não será mais que o entendimento do próprio reflexo.
profecía dos afectos - em tudo nos procuramos.
em tudo reflexo.
Encontrar a consolação apartir da compreensão. Entender a vida não a transforma.
mas transforma a forma como a percepcionamos
transforma o mundo dentro de nós
para haver fora terá que haver um dentro.
Passei muito tempo com medo da palavra, com medo de uma tela, com receio e fascínio por todos os mecanismos que sem respeito pela lógica nos trazem de dentro para fora
Conheço duas ditaduras neste mundo - a da lógica e a do belo. o que é que uma dirá á outra?
O que tem a lógica a dizer ao belo? O que dirá o belo á lógica?
Não há respostas. Não há histórias. Há uma história. Que é uma e que é múltipla.
Existir é viver em contradição.
Num corpo existem vontades tão diferentes como ter sede e não querer beber.
São diferentes e são o mesmo é possível querer uma coisa
e em simultâneo querer exatamente o seu oposto
A existência obedece a lógicas que a própria lógica desconhece
e cada corpo aloja vontades em si que pouco respeitam a lógica desse corpo
O quarto sozinho de eco. Ecoava silêncio.
A masturbação é um ansiolítico autónomo e sustentável.
Fazer alquimia com o cérebro, com o corpo.
Alquimia do prazer.
A pele testemunha mas é no cérebro onde foco o exercício do prazer.
De onde vem a líbido?
a mão acompanha o sonho.
A delícia do sonho está na sua impossibilidade possível.
Deixo o desejo pousar na imagem que quiser.
Criar a história que precisar. (o enredo afina o desejo) não o censuro. Não me censuro. Procuro conhecer-me.
Acredito que conhecer os meus desejos faz parte da mesma prática.
A masturbação é um mergulho frio no processo de autoconhecimento.
O café é uma optima companhia do frio da solidão. Frio e sozinho.
Um corpo na montanha. Não sabe a temperatura, mas tem frio.
Desiste de tentar precisar números e procura algo com que se aquecer.
É um corpo. E está nú.
Quando se tem frio o que ouvimos é o corpo a vibrar.
Tem um corpo. e está nú.
Devemos nos assegurar que cobrimos o corpo se assim o necessitamos.
Perdemos as carapaças.
É um corpo e está nú.
a pele é mole. o osso é esponjoso.
A guitarra responde-me ao que lhe pergunto.
Tocar em forma de pergunta.
Todo o gesto é uma pergunta sem destino.
Vamos mantendo conversa. Com perguntas e respostas, oscilações de uma mesma ambição.
A ambição de fazer prevalecer.
De continuar.
De não finir
Adiar o inevitável
Como se podessemos
Por momentos
Ser maiores que a vida.
troco o passo
mudo a linha
tiro ponto
meto vírgula
embaraço, raciocino, ultrapasso
crio um traço
desalinho
desatino
financío
e desfaço.
pego o osso
ponho a mão
cedo
tenho medo
realizo, analíso, mudifico, paralíso, o paraíso
eu fatalizo
Não devo nada a ninguém, apenas á verdade. Mas proclamo algo que não consigo entender;
E a ambiguidade na própria verdade deixa-me sem nada a dever.
Gostava de ser profunda na conversa, na vida. Gostava de perfurar todo o sentido e relevo das coisas e de mim porém na maior parte do tempo sou uma criatura absolutamente banal.
Não conto.
Parei de contar - horas , manhãs, dias e noites, anos, segundos.
Parei de contar. E quero contar-te a ti. Contar-te coisas. Que enquanto trocamos palavras distraímos o corpo para que possa disfrutar do gozo profundo da companhia da semelhança. É o que de realmente belo existe no encontro humano, o confronto e o conforto do espelho, ao que vou chamar, porque me apetece, de presença.
Estou cá, mas não estou. Deixo as palavras e saio. As palavras que tão pouco são minhas, mas que por mim passaram. E eu passo com elas, antes delas, depois delas por mim terem passado.
Enfim, eu vou; deixo as palavras. Os gestos vem comigo.
Escrever é fixar uma memória no tempo presente.
Desenhar o mar no teu corpo. Ouvir-te é como ler um livro de fixão científica esquecido nas prateleiras de um qualquer alfarrabista na baixa. Estar longe de ti é ficar trancado do lado de fora de casa.
Desenhar palavras para criar espaços. O espaço é o lugar onde o tempo actua. O tempo marca o ritmo da existência de um espaço.
Quero ser o espaço do teu tempo (e tu o ritmo da minha existência)
e que a dualidade se multiplique. Para ser são, sê surreal - ou pós-realista! - a confirmação da multiplicidade de dispersão una
Tivemos o poder da escolha e decidimos ser escravos
'é a vida' – repetimos em tom de mantra; mas a vida é tanta coisa, e não somos agentes passivos destas encruzilhadas.
BEBEDA
grata.
bebi a nata
do povo
aristocrata
Estou embriagada meu senhor
Bendito o dia, o homem, as uvas
que participaram na fazedura deste vício
- beber mais um copo ou suicidar-me?
peço dois, para que a vida dure mais.
A viagem transita entre o espaço e o tempo. Eu vou pela terra, tu vais pelo ar. O tempo na terra não será o mesmo que no ar. Para cada espaço o seu tempo. Tu de avião, eu de comboio. Tu em Africa, Eu na Europa – O tempo não será o mesmo! Encontrarnosemos um dia quando já nos tivermos cansado de ser jovens. Quando o jovem deixar de ser novo.
Apalpo o cigarro como quem apalpa o tempo
O balanço do corpo alimentado pela ansiedade do toque. Tu tens um corpo. Eu tenho um corpo. O que pode o meu corpo no teu? O que podem dois corpos juntos? Ou, o que não podem? Sempre a clarividência a poartir da exclusão Não é um bom método mas é o que conheço
O amor é a recompensa do amor – e repito esta frase com uma espécie de fé
Não é o que sabe um homem o que importa conhecer. O que importa é aquilo em que o Homem acredita saber. O que importa são as suas crenças e não o seu conhecimento. Até porque todo o conhecimento é uma crença em si.
Neste jogo sem baralho a maior divindade é a líbido e a sua reza é o prazer.
O que podem dois corpos? É líbido, e é puro. É puro líbido! Feito da mesma natureza que faz com que os gatos miem e os lobos uivem.
É importante dizer que o cão foi electrificado. É tão pesado que a mão treme. Tudo isto é Disney São dois braços Surgiu como uma dança A casa representa o lugar onde nos fexamos A pintura também olha É uma conversa de olhares Todos os dias nos perdemos um bocado assim que saimos de casa O cão tem medo? Não, mas está aberto a emoções Nós não nos passeamos porque gostamos da paisagem, nós gostamos da paisagem porque nos passeamos
Sou o analgésico da dor, eu sou o amor
Espaços de tensão Espaços de tesão Espaços de aflição E que sorte há nas rimas simples A história de um quadrado miúpe Os corpos são linhas desse quadrado Há o tempo da escuta Há o tempo da acção Há o tempo de um beijo Há quem me conte sem tom de segredo que todos esses tempos se encontram subrepostos O sono foi substituído lentamente pela palavra e o tempo é aquilo que estando cá sempre nunca existe
Quando me fartei de ter medo comecei a escrever
Durante muito tempo quiz afrontar o podor Depois comecei a pensar que isso seria alimentá-lo
O que compro assumo como um objecto privado até ao momento que se torna lixo – aí converte-se numa preocupação pública
Na minha terra há terra
O Belo faz-me sentido de uma forma muito pouco lógica Fazer sentido fora da lógica
Sentir é pôr o corpo todo a pensar
A discução é um entendimento muito específico. Entendermo-nos ao ponto de discutirmos.
Lisboa são aldeias perdidas em betão
Fiquei com a dança das tuas ancas nas minhas mãos.
Argumento sobre o malefícios do tabaco enquanto peço uma emperial. Hoje o dia apresenta-se com uma sequência banal.
O livro da ética foi roubado.
Há espera que qualquer coisa para além de mim aconteça
Não há absoluto porque não existe perfeição.
Atormenta-me um pouco a susseção de acontecimentos mal sucedidos.
No fim choro apenas pela triste percepção que não devia chorar.
A deusa do amor é viciada em sexo.
O peso que damos ás palavras não está nas palavras
está em nós.
O meu corpo tornou-se uma memória de ti
My body became a memory of you
Não há nada que nos prenda mais do que a própria liberdade.
Nas maõs danças que só num mundo sem língua se entendem.
A doença é a preparação para o salto. O salto é a vontade de quem vive
Sento-me a escrever . Nada é o desejado. Apetece-me coçar as costas e a Piaff soa a mofo. Tudo ligeiramente deslocado do desejado. Rio-me das coisas. Gostava que nao ouvesse interrepçoes
enquanto se escreve.
- ai mama! Ai sala primaria, cadeiras e mesas. Cheira a mofo - que não se usa duas vezes o mesmo jogo. Parar de julgar. Parece impossivel. (e eu nao queria escrever isto!), mas finalmente escrevo. Tenho um sorriso nos lábios. Uffa!! Escrevo, como se se tratasse de caminhar. Que prá frente é que é caminho! Criar sem partilhar pode realmente ser um grito sem som, ou um som a mofo.
Criar sem partilhar soa a mofo.
Lembro-me do homem do deserto que me falava de atraiçoar a solidão. Entendo o seu valor. E escrevo. Bato nas teclas como num piano. Oxalá haja adeus de boas-vindas!! Oxalá, oxalá possa eu repetir oxalá as vezes que quiser. Há palavras que foram feitas para nos acalmar. O ser-humano é um bixo espantoso
Quero deixar de ter que escrever estas frases. quero deixar de compreender egos. Quero deixar de compreender palavras e mesmo assim escrever. Porquê que alivia? O que é que alivia? Alivia.
Vêem-me frases há cabeça que outro me disse enquanto me beijava. Não consigo deixar de me apaixonar por seres humanos. Apaixonar e desiludir. Fazem parte da mesma moeda. Há pensamentos aos quais eu nao quero seguir, há outros que decidem deixar-me. Dos dois tenho saudades. Nutrir saudade ; esta acção é uma planta que eu aprendi a regar. É preciso saber como alimentar um sentimento. Se não ele morre esfomeado como um rato , como um cão... desaparece.
Ao desaparecer pode proporcionar a criação de outros sentimentos. A saudade é uma oportunista!
Não saber comunicar é uma des-benção. Acreditar nisto é negar a crença de qualquer fé.
(silencio téneu na minha cabeça - aguardo por um lugar em mim que reaja a esta afirmação. é necessário deixar ressoar)
Fico demasiada entusiasmada com o cheiro da minha merda.
( .... deixo ressoar ...)
Ás vezes enquanto escrevo imagina para quem é que estou a escrever. Gostava de escrever coisas que dissessem respeito a toda a gente (ao mesmo tempo) , por este desejo parvo de viver no comun. Estamos todos juntos. E tão sozinhos. Ás vezes escrevo sem desvio para mim. Para as partes de mim com quem tem faltado comunicação (nem sempre o sinal se establece sem dificuldade). A verdade é que tive de ver outros a ser livres para saber que o podia ser. (a meio desta frase, já duvidava dela)
Quero registar o mundo.
ando a pensar em formas.
tudo adultéra .
tudo toma sentido.
tudo líquido.
o sentido é um líquido.
uma lógica solida não sobrevive á vida.
há que ir com rios e parar de dar conselhos.
não quero que escrever se torne num eterno conselho sem endereço.
a acção é mais significatica que o sujeito.
a acçao é mais significativa que o sujeitooo!!
Liquidificação de um ego.
quando pensas no ego como é que imaginas?
como desenharias o ego?
quais são as suas cores?
É mais importante o sujeito que a acção . tambem é verdade. foda-se! A sabedoria tem destas coisas. Depende. Depende. É liquida. E pende. Pende dependente de onde se equilibra. Gostava de dar olhos a tudo. a qualquer coisa que se possa pensar. Conceitos... dar olhos a lógica. é o que mais procuro em qualquer paisagem. olhos. Ou o descanço deles. A sensação de ver e de ser visto.
A sensação é mais importante que o acontecimento.
Na guerra?? Sim, sempre.. a sensação é mais importante que o acontecimento ; sendo a acção mais significativa que o sujeito. Tudo entrelaçado. escrever faz-me sentir ligado. - ligado a quê? á prosa e a mímica. Ao simbolo.
É possível viver-se feliz no campo, blues e cerveja.
Há uma película fria entre os homens.
Jogos de poder.
Jogos de amizade.
Jogos de amor. Jogamos a tudo o que conhecemos. Calcula-se aproximidades, despedidas, formas de estar. Experimenta-se ser-se de todas as formas que nos lembremos. experimenta-se ser-se hoje de cabeça para baixo. Nem Pátria,nem Pai , nem Patrão. Repito isto dentro de mim para que me conserve sem rédia. Conheço a perícia de domar um animal.
Nem Pátria, nem Pai, nem Patrão. Cautela com todas as entidades que de mansinho iniciam com 'P' as Putas. Cautela. O Padre. O Preso. O Político. Cautela!
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